A Copa do Mundo de 2026 já movimenta uma disputa que vai muito além dos gramados. Em um cenário cada vez mais fragmentado, a batalha pela audiência deixou de acontecer apenas entre emissoras e plataformas de streaming e passou a envolver um novo protagonista: os creators. Se durante décadas os direitos de transmissão eram suficientes para concentrar a atenção do público, hoje eles representam apenas uma parte da estratégia. O desafio passou a ser manter a conversa ativa antes, durante e depois dos jogos, em diferentes plataformas e formatos. Nesse contexto, influenciadores, streamers e criadores de conteúdo tornaram-se ativos estratégicos para ampliar alcance, engajamento e relevância.
Os movimentos do mercado reforçam essa tendência. A Globo anunciou uma cobertura ampliada nas redes sociais e vem apostando em criadores digitais para aproximar a Copa de diferentes públicos. Já a CazéTV, que se consolidou como um dos principais fenômenos de audiência esportiva dos últimos anos, transformou os creators em parte central da experiência de consumo, combinando transmissão, entretenimento, reação em tempo real e produção massiva de conteúdo para redes sociais.
A própria FIFA também reconhece essa mudança. Para a Copa de 2026, a entidade ampliou iniciativas envolvendo criadores de conteúdo em ações digitais e cobertura de bastidores, reforçando a importância dos influenciadores na construção da narrativa do torneio para as novas gerações.
Segundo Victor Cabral, referência nacional em Creator Economy, a disputa pela audiência deixou de ser apenas uma questão de transmissão e passou a ser uma disputa por atenção. “A Copa de 2026 pode ser considerada a primeira Copa em que os creators terão um papel tão relevante quanto os próprios canais de distribuição. O jogo continua sendo o principal produto, mas a audiência é construída por meio de uma rede de conteúdos paralelos que nasce nas redes sociais e acompanha o torcedor ao longo de toda a jornada”, afirma.
O fenômeno reflete uma mudança no comportamento do público. O torcedor já não acompanha apenas a partida. Ele consome análises, reacts, bastidores, memes, entrevistas, vídeos curtos e comentários produzidos por creators em plataformas como TikTok, Instagram, YouTube e X. Muitas vezes, a experiência da Copa começa horas antes do apito inicial e continua muito depois do encerramento do jogo.
Para as marcas, isso representa uma oportunidade de ampliar sua presença para além dos espaços tradicionais de mídia. Em vez de aparecer apenas nos intervalos ou nas placas de patrocínio, elas passam a integrar conversas, tendências e conteúdos produzidos por criadores que possuem forte conexão com suas comunidades.
“Estamos vendo uma mudança estrutural na indústria da comunicação esportiva. Quem transmite a partida continua tendo um ativo valioso, mas quem consegue gerar conversa e engajamento ao redor daquele conteúdo passa a disputar a mesma atenção. Na Creator Economy, audiência é relacionamento e participação”, diz Cabral.

