Negócios

Reajustes de planos de saúde ampliam papel consultivo do RH

Os departamentos de Recursos Humanos enfrentam o desafio de administrar os reajustes dos planos de saúde em um cenário de custos assistenciais crescentes, inflação médica pressionada e maior demanda por benefícios personalizados. Mais do que renegociar contratos, a pauta coloca o RH no centro das decisões estratégicas das empresas. De acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o teto de reajuste para planos individuais e familiares ficou em 6,06% no último ciclo, mas, no ambiente corporativo, que concentra a maior parte dos contratos empresariais, os aumentos não seguem esse mesmo limite regulatório, tornando a negociação ainda mais sensível para as empresas.

Para Gustavo Chehara, CEO e fundador da Joyn Benefícios, a forma como as empresas encaram os benefícios corporativos vem passando por uma transformação. “Os reajustes dos planos de saúde deixaram de ser um tema operacional e passaram a ser uma decisão estratégica. O RH assume um papel cada vez mais relevante ao equilibrar custo, qualidade assistencial e experiência do colaborador. Não se trata apenas de negociar preço, mas de repensar o modelo de gestão de benefícios”, afirma.

Segundo o executivo, muitas empresas ainda reagem aos reajustes de forma pontual, sem uma análise aprofundada do perfil de utilização, da sinistralidade e das alternativas disponíveis no mercado. Esse movimento, além de pouco eficiente, pode gerar impactos negativos tanto para o orçamento da companhia quanto para a percepção dos colaboradores.

“Há casos em que uma simples ação de migração ou ajuste contratual, quando orientada por uma consultoria especializada, permite reduzir entre 10% e 20% do custo direto do plano, mantendo exatamente o mesmo produto e a mesma rede credenciada. É uma decisão que mexe diretamente no caixa da empresa e libera recursos que podem ser realocados para outros benefícios, ampliando a proposta de valor ao colaborador”, explica o CEO da Joyn Benefícios.

A pesquisa “Benefícios Corporativos 2025”, realizada pela Robert Half, apontou que 57% dos profissionais estavam satisfeitos com seus benefícios, mas 76% gostariam de ajustes nos pacotes oferecidos, especialmente em itens ligados à saúde e ao bem-estar. O cenário reforça a oportunidade de as empresas tratarem planos de saúde e demais benefícios como ferramentas de atração, engajamento e retenção, ao mesmo tempo em que buscam maior eficiência na gestão dos custos.

A Joyn Benefícios atua como um hub de soluções corporativas que apoia empresas na reestruturação de seus programas de saúde, com foco na redução de desperdícios, renegociação e desenho de benefícios mais aderentes à realidade dos times. “Quando o reajuste vem sem estratégia, o colaborador pode sentir o impacto no bolso ou na cobertura. Isso afeta a percepção sobre o pacote de benefícios e pode repercutir na experiência dentro da empresa. O RH precisa atuar de forma consultiva, apoiado por dados e com visão de longo prazo”, destaca Chehara.

A análise de indicadores como sinistralidade, frequência de utilização, perfil da população e concentração de procedimentos também vem ganhando espaço nas decisões relacionadas aos planos corporativos. “Estamos vendo um RH mais analítico, conectado ao negócio e com maior participação nas decisões financeiras. Quando a empresa entende como seus benefícios estão sendo utilizados, deixa de atuar apenas no momento do reajuste e passa a ter condições de administrar esses custos ao longo de todo o ano”, conclui Chehara.